Pix Automático: o que conferir na tela de autorização
Por Laís Peixoto
Growth Marketer, Proteside
Publicado em · 5 min de leitura
No Pix Automático, uma única autorização libera cobranças recorrentes; por isso o cliente deve conferir recebedor, CNPJ, valor máximo, periodicidade, data do primeiro débito, vigência e uso de crédito. O lojista deve deixar esses dados claros e proteger a página que exibe o QR de autorização.
No Pix Automático, disponível desde 16 de junho de 2025, o cliente dá uma única autorização no aplicativo do banco e, a partir dela, a empresa passa a cobrar de forma recorrente, sem nova confirmação a cada débito. Por isso, tudo depende da tela de autorização: quem vai receber, o valor máximo por cobrança, a periodicidade, a data do primeiro pagamento, a vigência e o uso de crédito. O cliente deve conferir cada item antes de aceitar, e o lojista deve garantir que a tela mostre exatamente o que foi vendido.
Como o Pix Automático funciona pelas regras do Banco Central
As regras estão no regulamento do Pix, alterado pela Resolução BCB nº 402, de julho de 2024. Os pontos principais:
- Autorização prévia e única. O pagador autoriza o próprio banco uma vez, antes da primeira cobrança, e não precisa se autenticar a cada débito.
- Controle do pagador. A autorização pode ser cancelada a qualquer momento pelo pagador e, quando permitido, alterada por ele.
- Finalidade específica. Cada autorização vale para uma relação de cobrança definida, que pode reunir vários produtos ou serviços do mesmo recebedor se forem cobrados de forma única.
- Quem pode cobrar. Só empresas com CNPJ ativo podem receber pelo Pix Automático. A oferta para o recebedor é opcional; já os bancos e instituições que mantêm contas devem oferecer o produto aos pagadores.
- Quatro jornadas de autorização. O pedido pode chegar ao banco do pagador a partir da relação direta com a empresa; pela leitura de um QR com o pedido de autorização; por um QR que autoriza e já paga a primeira cobrança; ou por uma proposta exibida depois de um pagamento feito com QR.
- Parâmetros mínimos. A autorização registra a identificação do recebedor, o valor máximo por transação, escolhido pelo pagador acima de um piso que o recebedor pode definir, a possibilidade de usar crédito pré-aprovado quando faltar saldo, a vigência, quando houver, a periodicidade e a data prevista do primeiro pagamento.
- Devolução em caso de erro. O Mecanismo Especial de Devolução (MED) cobre débitos que não respeitam os parâmetros autorizados, débitos sem autorização vigente e falhas do banco do pagador. Quem oferece o Pix Automático aceita devolver com recursos próprios, mesmo sem saldo na conta do recebedor.
Onde está a superfície de ataque
Uma autorização recorrente vale mais para um golpista do que um pagamento isolado: enquanto ninguém perceber, ela continua debitando. Os pontos sensíveis estão em volta da tela de autorização.
- QR trocado no checkout. Três das quatro jornadas começam com a leitura de um QR exibido pela empresa. Se um código malicioso trocar esse QR na página, o pedido que chega ao banco pode ser de outro recebedor. Na jornada que autoriza e paga a primeira cobrança de uma vez, o cliente perde o primeiro valor e ainda deixa um débito recorrente configurado.
- Pedidos de autorização indesejados. Uma empresa pode enviar pedidos de autorização ao banco do pagador. Por isso o regulamento obriga as instituições a monitorar e agir contra recebedores que mandem cobranças indevidas ou ofertas em excesso, como para quem não tem relação com eles ou insistindo com quem já recusou.
- Valor máximo e crédito. Se o cliente aceita sem olhar, pode deixar um teto alto demais ou habilitar o uso de crédito pré-aprovado sem perceber.
- Nome que o cliente não reconhece. Quando a razão social que aparece no banco é muito diferente do nome da loja, o cliente se acostuma a aprovar nomes estranhos, e esse hábito é o que um golpista explora.
Boas práticas para o lojista
- Antes de mostrar o QR, explique em uma frase o que o cliente verá no banco: nome do recebedor, valor, periodicidade e data do primeiro débito.
- Exiba a razão social e o CNPJ ao lado do QR, exatamente como aparecem no aplicativo do banco.
- Defina um piso de valor máximo coerente com o plano vendido; não induza o cliente a autorizar valores muito acima do preço.
- Envie pedidos de autorização só para quem tem relação ativa com a loja e não insista com quem recusou.
- Deixe claro como cancelar, tanto na loja quanto no aplicativo do banco.
- Proteja a página que exibe o QR de autorização com o mesmo cuidado da página de pagamento, e acompanhe o que ela exibe em produção.
- Concilie com frequência as autorizações ativas com os contratos e assinaturas reais.
Checklist do cliente na tela de autorização
- O recebedor é a empresa com quem contratei, com o CNPJ que ela informou?
- O valor máximo por cobrança é compatível com o preço do serviço?
- A periodicidade e a data do primeiro pagamento estão corretas?
- Existe prazo de vigência e ele faz sentido?
- O uso de crédito pré-aprovado está desligado, se eu não quero usá-lo?
- Esta tela também vai pagar a primeira cobrança agora?
- Revisei a lista de autorizações do Pix Automático no aplicativo e cancelei as que não reconheço?
Para ver como a troca de QR acontece no checkout e como impedir, leia proteção do Pix no checkout.
O Proteside protege o momento em que o QR aparece na sua página, seja de um pagamento avulso ou de uma autorização de cobrança recorrente: confere, na tela do cliente, se o código exibido é o que a sua loja emitiu e bloqueia a troca antes da confirmação, com alerta e evidência. Teste por 14 dias grátis e veja como funciona.