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MED 2.0: o que mudou na devolução do Pix e o que muda para a loja

Laís Peixoto

Por Laís Peixoto

Growth Marketer, Proteside

Publicado em · 4 min de leitura

O MED 2.0 é a versão do mecanismo de devolução do Pix que segue o dinheiro do golpe por várias contas, obrigatória desde fevereiro de 2026. Para o lojista, o ponto prático é que uma devolução indevida pode ser contestada em até 80 dias, contados da devolução, desde 1º de setembro de 2026.

O MED 2.0 é a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução do Pix: em vez de bloquear apenas a primeira conta que recebeu o dinheiro de um golpe, ele rastreia o caminho dos recursos por outras contas e tenta recuperar o valor ao longo dele. O uso é obrigatório para as instituições desde 2 de fevereiro de 2026 e, desde 1º de setembro, quem recebeu um Pix e teve o valor devolvido pelo MED tem 80 dias (e não mais 30) para contestar essa devolução. As duas mudanças afetam o lojista.

Por que o Banco Central mudou o MED

O MED reúne as regras para devolver um Pix em casos de fraude ou falha operacional. Na versão original, o bloqueio e a devolução aconteciam só na primeira conta recebedora. Como o dinheiro de golpe costuma ser espalhado em minutos por várias contas de laranjas, a eficácia era baixa: segundo o Banco Central, em 2025 foram recuperados em média 9,3% do valor contestado.

Como funciona o MED 2.0

Pelo material técnico do Banco Central, o fluxo passou a ser este:

  1. Abertura. A vítima avisa o banco, que abre um pedido de recuperação de valores no DICT, o diretório do Pix, para transações de até 80 dias.
  2. Rastreio. O DICT segue as transferências a partir da transação original e escolhe os caminhos com maior chance de concentrar o dinheiro desviado.
  3. Bloqueio e análise. As instituições das contas nesse caminho recebem notificações, bloqueiam o valor pedido (ou o saldo que houver) e têm até sete dias corridos para aceitar ou recusar.
  4. Devolução. Concluída a análise, o banco da vítima tem até 72 horas para iniciar as devoluções, que o DICT processa em sequência.
  5. Marcação. Contas com notificação aceita recebem marcação de fraude no DICT.

A devolução continua sem garantia: depende de haver saldo nas contas alcançadas.

O calendário até aqui

  • 28 de agosto de 2025: publicação das normas do MED 2.0.
  • 26 de novembro de 2025: uso opcional pelas instituições.
  • 2 de fevereiro de 2026: uso obrigatório para todos os participantes.
  • 11 de maio de 2026: entrada em produção com rastreio ampliado, data confirmada pelo Banco Central em agosto.
  • 1º de setembro de 2026: prazo para contestar uma devolução feita pelo MED passa de 30 para 80 dias, pela Instrução Normativa BCB nº 766.
  • 26 de outubro de 2026 (previsto): as notificações entre instituições passam a indicar em que etapa do rastreio está cada transação. O Banco Central afirmou que o ajuste não tem efeito para os usuários.

O que muda para quem vende

Seu saldo pode ser bloqueado

Se um cliente abre o MED contra um Pix pago à loja, o banco da loja bloqueia o valor e analisa o caso em até sete dias. Como o rastreio segue o dinheiro que sai das contas envolvidas, uma loja que vendeu para quem usava recursos desviados também pode receber uma notificação. A instituição da loja analisa e pode recusá-la.

Você pode contestar uma devolução indevida

Se o comprador recebeu o produto e abriu o MED de má-fé, a loja pode contestar a devolução em até 80 dias, contados a partir dela. Qualquer devolução pode ser contestada, exceto as feitas por falha operacional, e o motivo precisa ser suspeita de fraude do pagador. O banco da loja analisa o mérito e pode abrir a recuperação dos valores; se não abrir e a fraude se confirmar, o recebedor pode abrir uma disputa contra a própria instituição, conforme o manual de disputas do Pix.

O cliente contesta pelo próprio app

As instituições devem oferecer, na área Pix do aplicativo, uma função para o usuário contestar transações por golpe ou fraude. Contestações tendem a chegar mais rápido, inclusive as de clientes que pagaram um QR trocado e acham que foram enganados pela loja.

Checklist do lojista

  1. Saiba onde chegam os avisos de bloqueio e devolução do seu banco ou provedor, e quem na equipe acompanha.
  2. Guarde as provas de cada pedido: nota fiscal, comprovante de entrega, conversa com o cliente e identificador da transação Pix.
  3. Anote o prazo: 80 dias a partir da devolução para contestar.
  4. Conheça o canal de contestação do seu banco para recebedores.
  5. Ataque a origem do problema. Quando o QR é trocado na página da loja, o MED do cliente mira a conta do golpista, e a venda está perdida mesmo assim.

O MED 2.0 melhora a chance de recuperar o dinheiro depois do golpe, mas não impede que ele aconteça. Entenda o mecanismo da troca na página de proteção para Pix.

O Proteside atua antes do MED: confere, no navegador do comprador, se o QR e o copia e cola exibidos são os que a loja emitiu e bloqueia a troca antes do pagamento, com alerta ao lojista. Funciona com qualquer plataforma e provedor, e dá para testar por 14 dias grátis em lojas virtuais.

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