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O cliente pagou o Pix e o pedido não caiu: o que fazer

Laís Peixoto

Por Laís Peixoto

Growth Marketer, Proteside

Publicado em · 5 min de leitura

Primeiro confira na conciliação se o valor entrou; se não entrou e o recebedor do comprovante não é a sua empresa, o QR ou o copia-e-cola provavelmente foi trocado. Oriente o cliente a contestar no app do banco dele pelo MED, guarde as evidências e revise a página de pagamento.

Quando o cliente envia o comprovante e o pedido continua “aguardando pagamento”, a primeira pergunta não é quem errou, e sim para onde o dinheiro foi. Confira a conciliação; se o valor não entrou na sua conta, compare o recebedor do comprovante com a cobrança que a loja emitiu. Se o destino for outro, trate o caso como possível troca do QR ou do copia-e-cola: oriente o cliente a contestar o Pix no banco dele pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), guarde as evidências e avise quem precisa saber.

1. Confirme na conciliação antes de concluir qualquer coisa

Boa parte dos casos de “paguei e não caiu” é falha de integração, não golpe: o Pix entrou, mas o aviso do provedor de pagamento não chegou à loja ou o pedido não foi atualizado.

  • Procure a cobrança pelo identificador da transação, pelo valor e pelo horário no painel do seu provedor de pagamento ou no extrato da conta.
  • Peça ao cliente o comprovante completo: nome do recebedor, instituição, valor, data e hora, e o código de identificação da transação.
  • Se o dinheiro estiver na sua conta, o problema é interno. Libere o pedido, avise o cliente e corrija a integração.

2. Compare o recebedor do comprovante com a sua cobrança

Se o valor não aparece na conciliação, olhe o nome e a instituição do recebedor no comprovante. Quando eles não correspondem à sua empresa, o pagamento foi para outra conta, e as causas mais comuns são três:

  • A página de pagamento foi adulterada. Um código malicioso carregado no checkout, vindo de um plugin, de um script de terceiro ou de uma invasão, troca o QR exibido ou o conteúdo do botão de copiar.
  • O computador do cliente está infectado. Em 2023, a Kaspersky documentou um programa malicioso que vigiava a área de transferência e trocava códigos Pix copiados durante compras online.
  • O cliente não estava na sua loja. Um site falso com o seu nome gera um Pix para o golpista.

Para separar as hipóteses, pergunte o endereço do site, o aparelho usado e se ele leu o QR ou usou o copia-e-cola. Depois gere uma cobrança de teste na sua própria página, em um aparelho limpo, e compare o que aparece na tela com o que o provedor emitiu. Se outros clientes relatarem o mesmo problema no mesmo período, a suspeita sobre a página fica muito mais forte.

3. Oriente o cliente a acionar o MED no banco dele

O MED é o caminho oficial para tentar recuperar um Pix desviado por fraude, e só o banco de quem pagou pode iniciá-lo. A loja não consegue pedir em nome do cliente, mas pode ajudar muito.

  • Onde: desde 1º de outubro de 2025, a contestação pode ser feita no próprio aplicativo do banco do cliente, sem passar pela central de atendimento.
  • Quando: o quanto antes. O bloqueio alcança o saldo que ainda estiver nas contas envolvidas. Com a funcionalidade de recuperação de valores, obrigatória desde 2 de fevereiro de 2026, os bancos também rastreiam o dinheiro repassado para outras contas.
  • Prazos: depois da contestação, os bancos têm até sete dias para analisar o caso e, se a fraude for confirmada, a devolução deve ocorrer em até onze dias.
  • Como descrever: o regulamento do Pix exclui do MED as controvérsias sobre o negócio em si. O cliente deve relatar que pagou a uma conta de terceiros após a troca dos dados de pagamento, e não que “a loja não entregou”.

Ajuda entregar ao cliente uma declaração simples com a razão social, o CNPJ e a instituição da sua conta recebedora, o valor e o horário da cobrança legítima, e a confirmação de que o valor não foi recebido. Recomende também o registro de boletim de ocorrência.

4. Guarde as evidências desde o primeiro contato

Mesmo que o caso pareça isolado, documente tudo. Se a página tiver sido adulterada, essas informações mostram quando começou, quem foi afetado e o que precisa ser corrigido.

  • Comprovante do cliente e registro do atendimento.
  • Identificador, valor, horário e dados da cobrança legítima emitida pelo provedor.
  • Capturas de tela da página de pagamento e lista de scripts, plugins e alterações publicadas no período.
  • Registros do servidor e da plataforma com data e hora.

5. Avise quem precisa saber

  • Seu provedor de pagamento ou banco: relate a suspeita; eles podem ajudar a confirmar se a cobrança foi alterada.
  • Equipe técnica ou plataforma: revise a página de pagamento imediatamente e remova o que não for reconhecido.
  • Outros clientes: procure reclamações parecidas e, se houver um padrão, avise quem pagou no mesmo período.
  • ANPD e titulares: se a investigação confirmar um incidente com dados pessoais que possa trazer risco ou dano relevante, a comunicação deve ser feita em até três dias úteis, conforme o regulamento da autoridade.

Checklist para as primeiras 24 horas

  1. Procure o pagamento na conciliação por identificador, valor e horário.
  2. Compare recebedor e instituição do comprovante com a sua conta.
  3. Pergunte site, aparelho e forma de pagamento usados pelo cliente.
  4. Gere uma cobrança de teste e confira o QR e o copia-e-cola exibidos.
  5. Oriente o cliente a contestar no app do banco e entregue a declaração da loja.
  6. Guarde comprovantes, capturas e registros.
  7. Avise provedor, equipe técnica e, se for o caso, a ANPD e os titulares.

Para entender como a troca acontece na página e como bloqueá-la, veja proteção contra o golpe do QR Code trocado no Pix.

Se quiser enviar ao cliente um guia escrito para ele, use paguei o Pix e o pedido continua pendente. Para entender o ataque que causou a onda de casos de setembro de 2026, veja Magecart no Pix.

A melhor forma de lidar com esse atendimento é evitar que ele aconteça. O Proteside confere, na tela do comprador, se o QR e o copia-e-cola exibidos são exatamente os que a sua loja emitiu, bloqueia a troca antes do pagamento e avisa você com a evidência registrada. Dá para testar por 14 dias grátis e ver como funciona na sua loja.

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