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Troca de endereço de carteira cripto: o golpe que não tem estorno

Laís Peixoto

Por Laís Peixoto

Growth Marketer, Proteside

Publicado em · 4 min de leitura

Na troca de endereço, o endereço de carteira copiado, colado ou escaneado é substituído pelo de um criminoso, no aparelho do cliente ou por um script na página de pagamento. Como blockchain não tem estorno, a proteção é conferir o endereço exibido e bloquear a troca antes do envio.

Na troca de endereço de carteira, o pagador acredita que está enviando cripto para o comerciante, mas o endereço que ele copia, cola ou escaneia já foi substituído pelo de um criminoso. Como transações em blockchain não têm estorno, o valor enviado ao endereço errado quase sempre está perdido. Por isso, a única proteção que funciona de verdade é impedir a troca antes do envio.

Onde a troca acontece

O golpe tem uma ideia simples: ninguém confere, caractere por caractere, um endereço de 40 ou mais letras e números. Ele pode ser aplicado em três pontos diferentes do caminho entre a cobrança e o pagamento.

No aparelho do pagador. Programas maliciosos conhecidos como clippers vigiam a área de transferência e, quando reconhecem um endereço de carteira copiado, colam outro no lugar. Em fevereiro de 2019, a ESET encontrou na Google Play um aplicativo desse tipo que se passava pela MetaMask e mirava Bitcoin e Ethereum. Em março de 2025, a CyberArk descreveu a campanha MassJacker, que usava uma lista de pelo menos 778.531 endereços para fazer as trocas.

Na própria página de pagamento. Aqui o problema deixa de ser do cliente e passa a ser da loja. Em 8 de setembro de 2025, a Aikido Security identificou código malicioso em 18 bibliotecas de programação muito usadas, que juntas somavam mais de 2 bilhões de downloads por semana. Quando esse código chegava a um site, rodava no navegador do visitante, procurava endereços de carteira e os trocava por outros escolhidos para parecer com os originais, em redes como Ethereum, Bitcoin, Solana e Tron. Em dezembro de 2023, a Ledger relatou um caso parecido: uma versão adulterada da sua biblioteca de conexão com carteiras ficou no ar por cerca de cinco horas e desviou fundos de usuários para uma carteira do criminoso.

No QR Code exibido na tela. O QR é só outra forma de entregar o mesmo endereço. Se o script que monta a página é comprometido, a imagem pode ser trocada sem que nada pareça diferente para quem vai escanear.

Por que não existe estorno

No cartão, o banco emissor pode contestar uma compra. Em cripto não há intermediário com esse poder: depois de confirmada pela rede, a transação não é desfeita. A FTC, órgão de defesa do consumidor dos Estados Unidos, resume a situação assim: em geral, só é possível recuperar o dinheiro se quem o recebeu decidir devolvê-lo.

Para quem vende, isso cria um problema duplo. O cliente pagou o valor certo, viu a transação confirmada e espera o produto. A loja não recebeu nada. A conversa que vem a seguir é desgastante para os dois lados, e o cliente tende a concluir que a culpa é da loja. Afinal, o endereço estava na página dela.

Checklist para quem aceita cripto no checkout

  1. Gere um endereço por cobrança, pelo servidor ou pelo provedor de pagamento, em vez de deixar um endereço fixo copiado na página. Isso facilita a conciliação e a detecção de pagamentos que não chegam.
  2. Mostre a rede e o valor de forma explícita. O mesmo token pode existir em redes diferentes, e um envio pela rede errada também pode ser irrecuperável.
  3. Reduza os scripts de terceiros no checkout e fixe as versões das bibliotecas que a página carrega. O caso de setembro de 2025 mostrou que uma atualização automática basta para levar código malicioso à sua página.
  4. Monitore a página de pagamento em produção. O que importa é o endereço que o cliente vê e copia, não apenas o que está no seu repositório.
  5. Confira, no navegador do cliente, se o endereço exibido, o copiado e o do QR são os que você emitiu, e bloqueie qualquer divergência antes do envio.
  6. Tenha um canal claro para “paguei e não caiu”. É o primeiro sinal de que algo está trocando endereços no caminho.

O que o pagador pode conferir

Vale também orientar os clientes, por exemplo em uma nota curta junto do endereço:

  • Comparar o endereço inteiro, inclusive o meio, e não só o começo e o fim: os golpes mais recentes geram endereços parecidos justamente para enganar essa conferência rápida.
  • Depois de colar, conferir de novo com a origem; em carteiras de hardware, confirmar o endereço na tela do próprio dispositivo.
  • Desconfiar se a rede ou o valor na carteira não batem com o que a loja mostrou.
  • Em valores altos, confirmar o endereço com a loja por outro canal antes de enviar.

Essas medidas reduzem o risco no aparelho do cliente. Contra um script adulterado na página, porém, o cliente não tem como saber que o endereço mudou: o conteúdo errado vem da própria loja.

Como o Proteside protege esse momento

O Proteside roda na sua página de pagamento e confere, no navegador do comprador, se o endereço, a rede e o valor exibidos ou copiados são exatamente os que você emitiu, bloqueando qualquer troca antes do envio (em cripto, o único momento em que ainda dá para impedir o prejuízo). Veja como funciona a proteção para pagamentos com cripto e teste grátis por 14 dias.

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