UPI na Índia: golpes com QR Code e VPA e como a loja se protege
Por Laís Peixoto
Growth Marketer, Proteside
Publicado em · 4 min de leitura
No UPI, escanear um QR Code ou digitar o UPI PIN sempre envia dinheiro, nunca recebe, e os golpes exploram essa regra. Para a loja online, o risco está na página de pagamento: se o QR, o VPA ou o link exibidos forem trocados, o cliente paga a conta errada.
No UPI, o sistema de pagamentos instantâneos da Índia, escanear um QR Code ou digitar o UPI PIN sempre autoriza uma saída de dinheiro, nunca uma entrada. Quase todos os golpes documentados exploram essa regra. Para quem vende online, o ponto sensível é outro: a página de pagamento, onde o QR, o VPA e o link exibidos decidem para onde vai o dinheiro do cliente.
Como o UPI usa QR Code e VPA
O VPA (endereço virtual de pagamento, no formato nome@banco) identifica quem recebe sem expor o número da conta. O QR Code do UPI é apenas uma forma de transportar esse endereço. Pela especificação de links da NPCI, operadora do UPI, ele carrega um link upi://pay com o VPA e o nome do recebedor e, quando necessário, o valor e uma referência da transação. Em cobranças de comércio, a referência é obrigatória, e a especificação prevê QR dinâmicos, gerados para cada cobrança.
O aplicativo do pagador lê esses dados e abre a tela de pagamento já preenchida. O cliente confere, digita o PIN e o dinheiro sai na hora, sem volta simples. A escala torna o tema relevante para qualquer operação que venda para a Índia: em maio de 2026, o UPI processou 23,2 bilhões de transações, segundo dados da NPCI divulgados pela Inc42.
Os golpes mais documentados
O Reserve Bank of India (RBI) e as polícias indianas descrevem alguns padrões recorrentes:
- QR “para receber”: o golpista se passa por comprador, muitas vezes em sites de classificados, e envia um QR dizendo que é para o vendedor receber o pagamento. A polícia de Délhi descreve casos em que, depois do primeiro débito, o criminoso alega um erro e manda outro QR com o dobro do valor, repetindo o ciclo.
- Pedido de cobrança disfarçado: o UPI permite enviar uma solicitação de pagamento (collect request). Em alerta de janeiro de 2022, o RBI citou o uso desse recurso com mensagens do tipo “digite seu UPI PIN para receber dinheiro”. Aprovar é pagar.
- QR e VPA não autorizados: o mesmo alerta inclui QR Codes não autorizados entre as táticas. Um VPA parecido com o da loja, com um nome plausível, costuma bastar para que o pagador confirme sem desconfiar.
A orientação oficial é direta: segundo o RBI, receber dinheiro não exige escanear QR Code nem digitar PIN. Em março de 2022, o banco central também reuniu os golpes mais comuns em pagamentos digitais na cartilha BE(A)WARE.
Onde o comércio online entra nessa história
Na loja física, o risco clássico é o adesivo colado sobre o QR verdadeiro. No comércio online, o equivalente é mais discreto. O QR é gerado pelo sistema da loja ou do provedor de pagamento, mas é exibido no navegador do comprador, junto com tudo o que a página carrega: plugins, ferramentas de marketing, chat, scripts de terceiros. No celular, muitas lojas oferecem ainda um botão para pagar com o aplicativo UPI, que abre o app a partir do mesmo link upi://pay.
Se um código malicioso roda nessa página, ele pode trocar a imagem do QR, o VPA exibido em texto ou o destino do botão. O comprador paga o valor certo, vê um nome plausível no aplicativo e confirma. A loja não recebe, o pedido fica pendente e o cliente tem certeza de que pagou. E pagou, só que para outra conta.
No mundo dos cartões, essa fragilidade já é tratada por regra: o PCI DSS, nos requisitos 6.4.3 e 11.6.1, exige autorizar e inventariar os scripts da página de pagamento e detectar alterações não autorizadas no que chega ao navegador do cliente. Em março de 2025, o PCI Security Standards Council publicou um guia específico sobre esses dois requisitos. A lógica vale igualmente para o QR do UPI: o que conta é o que o comprador vê.
Checklist para quem vende com UPI
- Use QR dinâmico por pedido, com valor fixo e referência única, e concilie cada pagamento por essa referência.
- Mostre o VPA e o nome do recebedor em texto ao lado do QR e oriente o cliente a conferir se o nome no aplicativo é o da sua empresa.
- Nunca peça ao cliente que escaneie um QR ou aprove uma cobrança para receber reembolso. Deixe isso claro na política de trocas, porque golpistas se passam pelo atendimento de lojas.
- Reduza os scripts no checkout e mantenha plataforma, tema e plugins atualizados, removendo o que não é usado.
- Monitore a página de pagamento em produção, comparando o QR, o VPA e o link exibidos com os que o seu sistema emitiu.
- Trate “paguei e o pedido não foi aprovado” como alerta de segurança, e não apenas como chamado de suporte.
- Saiba para onde encaminhar vítimas: o governo indiano mantém o portal cybercrime.gov.in e a linha 1930 para denúncias de fraude financeira.
Para ver o que pode ser trocado em uma cobrança UPI e o que fica fora do alcance de qualquer proteção na página, consulte a proteção para pagamentos com UPI.
O Proteside confere, no navegador do comprador, se o QR, o VPA e o link do UPI exibidos no checkout são exatamente os que a sua loja emitiu e bloqueia qualquer troca antes da confirmação, com alerta para você e evidência para o PCI DSS. Funciona com qualquer plataforma e provedor de pagamento. Experimente grátis por 14 dias.